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Obesidade mórbida

O que é
Excesso de peso sob a forma de acúmulo de gordura que, pela sua quantidade, causa sérios prejuízos de saúde ao seu portador. Existem diversas formas de mensurar essa quantidade de excesso, porém, via de regra, são pessoas que já se encontram de 30 a 40 quilos acima do seu peso ideal.

Causas
Há vários motivos que levam as pessoas a ficarem obesas: psicológicos, hormonais, genéticos, metabólicos e ambientais. Sabemos que os fatores ambientais e comportamentais são de longe os maiores responsáveis pela grande epidemia de obesos, concentrada principalmente nas metrópoles no mundo todo. As grandes mudanças de forma de viver do homem dos grandes centros, com grande oferta de alimentos calóricos industrializados, o estresse, a poupança de gastos energéticos (andar a pé, praticar exercícios, subir escadas ao invés de elevadores etc.) fazem com que o acúmulo de tudo o que se consome através dos alimentos fique armazenado em forma de gordura.
Fator agravante, principalmente em nosso meio, é o cultural, pois a idéia de fartura, educação e socialização está intimamente ligada aos alimentos e às bebidas calóricas. As pessoas não são convidadas a reuniões de amigos apenas para conversar, pois isso é associado a falta de educação ou de gentileza por parte do anfitrião. Os encontros costumam ter cerveja, petiscos e outros complementos.

Índices do Brasil
O Brasil está entre os países com epidemia de obesidade mórbida. Segundo o último senso, há 70 milhões de brasileiros acima do peso, sendo que 10% deles já se encontram em índices de obesidade mórbida, ou seja, o equivalente a 17,5 milhões de pessoas. Nos últimos 30 anos, as crianças obesas do País saltaram de 4% para 14% (fator associado a computador, televisão e confinamento). O Brasil teve, entre 1975 a 1989, um aumento de 53% da sua população obesa ou com sobrepeso. Se confirmar esta tendência, todos os brasileiros serão obesos até a primeira metade do terceiro milênio!

Males que pode causar
A obesidade, quando considerada doença (mórbida), pode afetar o organismo de inúmeras maneiras, estando este indivíduo sujeito à hipertensão arterial sistêmica, diabete melitus, pedra na vesícula, cânceres e ao infarto do miocárdio. Se estes males forem diagnosticados precocemente têm cura – caso contrário, em estágios avançados, não tem cura, pois a identificação de tumores no obeso é difícil, sendo que os exames de imagens sempre são prejudicados pela presença da gordura.
É muito importante enfatizar os problemas de ordem psíquica a que estão sujeitos os obesos. Está cientificamente comprovado que a obesidade gera grandes estigmas desde a infância. Crianças em fase pré-escolar preferem ter amigos de raças diferentes ou com deficiências físicas do que colegas obesos.

Classificação da obesidade mórbida
Consideramos obesidade mórbida os indivíduos que tem índice de massa corporal maior ou igual a 40 kg/m2. Índice de massa corporal (IMC) é um número que varia de 16 a 100, considerando grandes extremos, este valor é obtido quando se divide seu peso pelo quadrado de sua altura.

Exemplo 1
Indivíduo com peso de 100 kg e 1,55 m de altura
100/1.55×1.55= 41.62 kg/m2 (obeso mórbido)

Exemplo 2
Indivíduo com peso de 100 kg e 1.85 m de altura
100/1.85×1.85 = 29,21 ( apenas sobrepeso).

Com estes exemplos fica claro que existe uma necessidade de correlacionar o peso à altura para melhor avaliação do grau de obesidade. Ou mais facilmente ainda, pegue sua calculadora e coloque seu peso atual, divida pela sua altura e novamente divida pela sua altura, pronto, você terá calculado seu IMC.
Tratamentos
Atualmente a obesidade mórbida tem a cirurgia como tratamento efetivo e duradouro. Todos os indivíduos que se encontram em índices acima de 40 kg/m2 devem iniciar a tentativa de redução do peso por meio de abordagem multidisciplinar, contando com apoio de psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta, preparador físico e enfermeiras especializadas.

Cirurgia
A cirurgia é indicada para pacientes que tem IMC > 40, independente de já terem ou não qualquer outra doença associada ou àqueles que têm IMC entre 35 a 40, porém já apresentam doenças que estão agravadas pelo peso de excesso tais como diabetes, hipertensão, desgaste nos joelhos e coluna, apnéia do sono, entre outros.

Tipos de Cirurgia
Para os indivíduos com indicação de tratamento cirúrgico, existe uma variabilidade de técnicas a serem empregas. Os três grupos de cirurgias mais conhecidos são:

Cirurgias de restrição gástrica;

Cirurgias de restrição gástrica associada ao desvio de intestino (técnica mista); e

Cirurgias só de derivação intestinal.

Para cada grupo temos pelo menos três a quatro técnicas distintas, o que oferece ao médico cirurgião e ao seu paciente uma escolha dentre elas que melhor se encaixe ao perfil de cada indivíduo.

Pré-Requisitos para a cirurgia
Ser portador de excesso de peso que justifique o procedimento; ter esta situação comprovada por mais de dois anos; não ser usuário de drogas por mais de cinco anos; ter sido avaliado por equipe multidisciplinar.

Benefícios e riscos da cirurgia
Os procedimentos cirúrgicos não são milagrosos e necessitam da compreensão e colaboração por tempo indeterminado após a cirurgia. Há hoje dois grandes grupos de pacientes. Um que se mantém saudável, pois entendeu a necessidade de prosseguir o tratamento no pós-operatório, de atividade física e de cuidados especiais com a esfera psíquica. E outro grupo que somente fez a cirurgia e nada mais, correndo sérios riscos de trocar de doenças (de ex-obesos podem passar a ter deficiências de vitaminas e sais minerais, de ferro com conseqüente anemia ou compulsão de alimento por bebida) e de se manter sem atividade física.

Pós-operatório
Para cada tipo de paciente e de cirurgia há recomendações especificas. Em linhas gerais, a necessidade de uma adaptação aos alimentos gradativa, começando por líquidos e sempre sob supervisão da nutricionista. Pacientes operados podem – e devem! – caminhar logo em seu primeiro dia de cirurgia, ter convívio social e atividade de trabalho (nada de esforços).

Dia-a-dia
As melhores cirurgias são as realizadas nos melhores doentes – estes, sem sombra de dúvida, são aqueles que consideram a cirurgia parte do tratamento, importante e fundamental. No entanto, 50% dependerá de seguir ao longo de suas vidas novas rotinas e novos hábitos – estes impostos desde antes da cirurgia para que realmente consigam atingir a plenitude e a cura desta devastadora nova doença mundial.

Dr. Marcio Bove Miksche – CRM 64.697
Cirurgião do Aparelho Digestivo com Habilitação Certificada em Videolaparoscopia pelo CBCD e membro titular do Colégio de Cirurgia do Aparelho Digestivo, da Sociedade de Cirurgia Bariátrica e da Sociedade Brasileira de Endoscopia e médico da Clínica PROMEDE (PROCEDIMENTOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS) e da Clínica C.AM.O. (CLÍNICA DE ATENÇÃO MULTIDISCIPLINAR AO OBESO).

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