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Diabéticos devem redobrar atenção com os pés!

O pé humano dá suporte e locomoção, além de ser importante para a estética. É constituído de delicadas estruturas, harmoniosamente balanceadas, visando uma função complexa. Para isso, conta com uma rede vascular especializada, constituída de artérias, veias, vasos linfáticos e nervos.

Os diabéticos desenvolvem problemas em vários setores do organismo, que são tanto mais graves e precoces quando pior for o controle da hiperglicemia (açúcar alto no sangue). A arterosclerose é muito favorecida pelo diabetes e se instala precocemente nos doentes que não se cuidam.

O descontrole é a principal causa das complicações do diabetes, que incluem a neuropatia (alteração da função do nervo), a arteriopatia (alteração do fluxo sangüíneo pelas artérias) e a infecção (diminuição da resistência aos micróbios). Casos freqüentes são os problemas nos pés, por isso, fala-se muito em “Pé Diabético”.

A neuropatia provoca a redução da dor e sensibilidade nos pés, levando o paciente a ignorar dores e até feridas; e a infecção é o fator que leva, em questão de horas ou dias, à destruição dos tecidos.

Nem sempre o tratamento clínico é suficiente e, às vezes, há necessidade de cirurgia. Muitas vezes já existe necrose. Neste caso, o cirurgião vascular realiza uma drenagem cirúrgica ou um desbridamento da lesão, retirando a parte do tecido necrosado (morto).

Quando a parte necrosada for extensa (gangrena), o cirurgião realiza uma amputação. Esta solução extrema é, às vezes, o único recurso para salvar a vida do paciente, já que a gangrena pode levar o paciente diabético ao óbito.

Melhor que tratar, no entanto, é evitar. Assim, o controle rigoroso da glicemia é essencial. Dessa forma, o acompanhamento do endocrinologista é fundamental para que o controle da doença seja próximo do ideal. O auto-exame dos pés também significa maior qualidade de vida para o diabético. Por isso:

1 – Todos os dias examine os pés. Verifique se existem bolhas, calos, úlceras, micoses entre os dedos ou infecções. Examine seus pés pela manhã e ao se deitar. Use um espelho para observar as solas dos pés ou peça ajuda para alguém.

2 – Verifique o calçado antes de usar. Não coloque sapatos apertados e atenção para os pares novos ou sandálias. Nunca ande descalço, inclusive na praia.

3 – Lave todos os dias os pés, usando água morna e sabão neutro. Nunca deixe de enxugar bem os pés e entre os dedos.

4 – Andar é o melhor exercício para a circulação. Ande pausadamente e de forma regular. Mesmo alguns quarteirões por dia já são suficientes. Entretanto, no caso de feridas ou lesões, consulte o seu médico, pois pode ser indicado repouso.

5 – Abandone o hábito de fumar para preservar a sua circulação.

6 – Corte as unhas com cuidado. Não corte os calos, lixe-os delicadamente e regularmente. Não retire as “cutículas”, ela protege sua unha. Não permita que extraiam sua unha sem exame médico prévio.

7 – Nos dias frios, proteja os pés com meias de lã ou algodão, bem folgadas. Abra mão de calçados que possam apertar seus pés e prejudicar o fluxo sangüíneo.

8 – Evite excessos de calor e frio. O fato de você sentir que seu pé está “frio” não significa que esteja, portanto, nunca aplique compressa de água quente nos pés.

9 – Nunca use remédios ou produtos químicos nos pés sem consultar o especialista. Devido ao diabetes, produtos corriqueiros podem ser danosos para a sua pele.

10 – É importante visitar o médico com freqüência e ter sempre em mãos seus telefones, bem como os de seus assistentes. Se não encontrá-lo, vá até um pronto-socorro.

Diabéticos devem:
• Usar sapatos fechados.
• Comprar sapatos no meio do dia, quando os pés estiverem levemente edemaciados.
• Manter de 1 a 1 ½ cm de espaço para os dedos em pontas arredondadas ou quadradas (nunca afinadas).
• Preferir calçados de couro ou lona e meias de algodão que permitem melhor circulação de ar e têm melhor resultado.
• Procurar fechos com cadarços ou velcro que podem ser ajustados de acordo com o edema dos pés.

Edemas nos pés diabéticos:
• Podem indicar problemas relacionados ao coração, rins ou estase venosa.
• Os localizados tendem a ser infecção ou fratura neuropática precoce.

A temperatura dos pés diabéticos:
• Áreas quentes podem ser infecções e áreas frias, insuficiência arterial.
• Podem apresentar gangrena.

O formato dos pés diabéticos:
Pode significar fraturas neuropáticas, joanetes, arcos plantares planos ou altos, sinais de cirurgias anteriores e dedos em martelo. Às vezes a melhor opção é um sapato com formato especial.

As unhas dos pés diabéticos:
1. Não devem ter aspecto grosso ou ficarem encravadas.
2. A cor arroxeada ou avermelhada pode indicar sangramento dentro ou sob as unhas; unhas esverdeadas ou amareladas podem indicar a presença de fungos.
3. O corte ideal é reto, sem aprofundar os cantos.

As calosidades:
1. Indicam pressão de sapatos de tamanho inadequado ou a distribuição incorreta de peso ao caminhar.
2. São portas de entrada para úlceras (como identificar: lesão perfurada com borda elevada, saliência óssea, área de drenagem baixa ou moderada, escara ou tecido necrosado na base da ferida).

Fatores de risco associados às úlceras:
a. Neuropatia periférica.
b. Anormalidade estrutural do pé.
c. Limitação da mobilidade articular
d. Histórico de úlceras anteriores.
e. Histórico de amputação de extremidades dos membros inferiores.
f. Retinopatia.
g. Nefropatia.
h. Duração do diabetes (aumentada).
i. Controle glicêmico abaixo de condições ótimas.
j. Idade avançada .
k. Insuficiência vascular.
l. Calçados inadequados/andar descalço.
m. Fatores psicossociais (negação da doença, baixo nível sócio-econômico, morar sozinho).

Dr. Carlos Bessa – CRM 52 356
Especialista em cirurgia vascular periférica pela Sociedade Brasileira de Angiologia e pela Associação Médica Brasileira e especialista em cirurgia vascular pelo Conselho Federal de Medicina com pós-graduação em cirurgia endovascular pela Santa Casa de São Paulo.

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