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Varizes

Como aparecem as varizes
Elas aparecem nas pessoas que apresentam defeitos nas válvulas e nas paredes das veias. Para entender isso é importante saber que existem as veias superficiais (ficam sob a pele, na camada de gordura, e podem ser visíveis), as profundas (localizam-se no meio da musculatura da perna e são invisíveis) e as comunicantes que ligam as veias superficiais e profundas.

As pessoas têm válvulas que orientam o sangue dentro das veias, sempre da veia superficial para a profunda, por meio da veia comunicante, e impedem que o sangue faça o caminho errado quando a pessoa está de pé ou sentada. Há ainda as artérias que levam o sangue do coração para todo o corpo. Porém, o retorno para o coração dá-se pelas veias. Quando se está em pé parado ou sentado existe mesmo certa dificuldade para o sangue voltar para o coração – por sinal, são essas as posições que mais favorecem o aparecimento de varizes.

Nas pessoas em que as veias têm válvulas e paredes normais, o sangue aguarda a oportunidade de voltar, sem causar nenhuma alteração. Nas pessoas em que as válvulas estão doentes acontece, então, uma inversão no caminho do sangue, que passa a ir de cima para baixo e da veia profunda para a superficial. Este fato provoca um aumento do volume sanguíneo dentro da veia superficial, ocorrendo o processo de dilatação e aparecimento das varizes.

O papel das veias safenas 
O ser humano tem quatro veias safenas, duas em cada membro, a safena magna e a safena parva. A safena magna é uma veia que vai desde a parte interna do tornozelo até a virilha, correndo pela parte de dentro da perna e coxa. A safena parva vai desde a parte lateral do tornozelo até o joelho, correndo pela parte posterior da perna. Esta veia ficou famosa pela chamada operação de “ponte de safena”, que é uma cirurgia do coração, que nada tem a ver com as varizes. As veias safenas são pouco importantes para a circulação normal da perna e por isso, podem ser retiradas sem problemas. Mas como são veias superficiais, de fácil acesso, extensas, e de bom calibre, com paredes espessas, são retiradas para substituir outros vasos ocluídos, como as coronárias, artérias principais do coração. As safenas funcionam então como uma espécie de “estepe” de vasos do corpo.

Entretanto, as veias safenas têm ligação com todas as veias da superfície da perna, e freqüentemente estão envolvidas na doença varizes. Quando isto ocorre, elas ficam muito dilatadas e necessitam ser retiradas. O médico retira sempre as mais doentes, deixando as que estão perfeitas ou pouco doentes para eventualidades como cirurgia cardíaca e substituição de um outro vaso importante do corpo.

Todas as veias dos membros estão interligadas. É como se fosse uma árvore na qual as safenas são as raízes, os seus ramos são os troncos, as microvarizes são os galhos e os vasinhos são as folhas.

Identificando as varizes
No tratamento é importante identificar onde está o problema e tratar todas as áreas que estão envolvidas para obter um resultado prolongado. Por este motivo, um exame clínico detalhado deve ser feito por um médico especialista. Se necessário, o médico solicitará ultrassom, pletismografia ou mesmo radiografias ou angioressonância para avaliar as alterações, considerando a doença e a estética.

As varizes têm vários graus de comprometimento da saúde, mas existem também questões estéticas envolvidas.

Varizes do tipo 1: Varizes leves que não expõem os seus portadores a risco de complicações imediatas, embora possam provocar manchas e sangramentos no futuro e são as de maior interesse estético.

Varizes do tipo 2: Estéticas e funcionais

Varizes do tipo 3: Funcionais, podendo ser leves ou graves, dependendo do grau de acometimento.

Varizes do tipo 4: Varizes graves que podem provocar sérias complicações – como, tromboflebite, embolias, edemas, eczema, úlceras (feridas) e hemorragia – e levar o paciente a incapacidades e até mesmo ao risco de vida. Entretanto, mesmo estas varizes de maior gravidade podem ser tratadas com técnicas modernas que realizam a sua correção com mínimas cicatrizes e marcas.

Varizes de vários tamanhos 
Quando as veias maiores da superfície se dilatam, temos o aparecimento das grandes varizes, chamadas de grosso calibre. Quando são ramos destas veias que se dilatam, ou na fase inicial da doença, temos as chamadas microvarizes, que são trajetos azulados vistos sob a pele. Quando são as veias da própria pele que se dilatam, temos os vasinhos. As veias safenas são as veias superficiais principais e estão envolvidas no processo de aparecimento de varizes.

Existe comunicação entre as varizes, microvarizes e “vasinhos”, tudo ocorre como se fosse uma rede, que transmite a pressão do volume de sangue. Quem dilata primeiro é que recebe maior volume de sangue no sentido errado (de cima para baixo e de dentro para fora) ou onde o sangue fica mais represado. A veia da pele gera o “vasinho”. Quando se dilatam as microveias, aparecem as microvarizes e quando se dilatam as veias superficiais maiores levam ao aparecimento das varizes. Se o refluxo (caminho inverso do sangue) ou o acúmulo de sangue atinge só uma parte das veias, só estas se dilatarão, se atinge todas, todas dilatarão.

Se o refluxo ocorre só na pele, teremos os vasinhos, então para tratar, basta cuidar destes pequenos vasos. Mas se uma veia provoca refluxo para a pele, esta cria os vasinhos para acomodar o sangue. O tratamento então é retirar os vasinhos, mas também a veia que provoca o refluxo ou acúmulo. Este quadro é chamado de “telangiectasias combinadas”, que são os vasinhos ligados a uma veia, e os dois com alterações. Este processo é muito amplo nos membros, podendo haver acúmulo e refluxo atingindo vários tipos de vasos, ao mesmo tempo ou isoladamente. Assim uma safena pode provocar refluxo para as veias da pele, ou refluxo para as colaterais, e dependendo do que dilatar terá os diversos tipos de varizes.

Tratamentos
O tratamento das varizes tem evoluído muito nos últimos anos e hoje além da cirurgia convencional, há vários outros métodos. Confira um pouco sobre cada um deles:

1 – Cirurgia convencional
Remove a veia safena interna ou a safena externa na sua totalidade. As veias comunicantes são retiradas em incisões separadas e múltiplas. Necessita de internação e internamento e estudo pré-operatório completo, bem como de anestesia geral.

2 – Escleroterapia
Aplicação de solução esclerosante por meio de injeções na região afetada. Podem ser tratadas várias veias por sessão. O número de sessões depende da extensão das varizes.

Escleroterapia

3 – Laser
É uma alternativa para pacientes que não toleram injeções (embora funcione apenas para o tratamento de varizes reticulares).

Laser

4 – Processo de “clouser” ou “VNUS”
Consiste na introdução de um cateter fino dentro da veia a tratar, o qual se liga a um gerador de energia de radiofreqüência. A parede da veia aquece e a veia oclui ao retirar o cateter. O trabalho pode ser retomado no dia seguinte e as complicações são pouco freqüentes. Indicado para pacientes com insuficiência da válvula osteal e para as varizes das veias safenas.

vnus

5 – Micro-Flebectomia ambulatória
Permite remover várias veias varicosas com pequenas incisões pouco maiores que a cabeça de um alfinete.

6 – Pin Stripping
É uma técnica micro-invasiva, que se usa nos doentes que não podem ser tratados por “closure”. Pode ser praticada em ambulatório e permite remover a safena interna com duas micro-incisões.

Dr. Carlos Bessa – CRM 52.356
Especialista em cirurgia vascular periférica pela Sociedade Brasileira de
Angiologia e pela Associação Médica Brasileira e especialista em cirurgia vascular pelo Conselho Federal de Medicina com pós-graduação
 em cirurgia endovascular pela Santa Casa de São Paulo.

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